Nerdices

terça-feira, 8 de março de 2016

Como é ser mulher na área de TI! #SerMulherEmTech

Bom dia guerreiros e guerreiras!
Hoje, 08 de março, dia internacional da mulher!
E eu estive pensando em como fazer uma postagem que retratasse as mulheres neste dia, então porque não falar de mim mesma? 
Então pra saber os desafios da área de tecnologia sendo mulher, continue lendo a postagem! :D

Para quem não sabe um pouco da minha história, irei apresentar.
Sempre fui uma criança que ficava em volta do meu pai observando ele desmontar equipamentos e peças. Não vou dizer que nunca brinquei de bárbie entre outras coisas, mas eu sempre achava mais interessante o outro lado. Posso dizer que já me arrisquei em desmontar brinquedos sem ter o mínimo de noção do que eu estava fazendo, e consequentemente o estragava mais.
Meu pai por muitas vezes me reepreendia, eu não tinha noção do que estava fazendo, mas achava interessante. Quem diria que no futuro eu me formaria com Técnica em Informática? Nem eu imaginava.
Lembro também do meu primeiro curso de informática, por volta dos meus 11 anos de idade. Ainda era com o falecido Windows 98.
Por anos na minha infância e pré-adolescência meu sonho era ter um computador. Na época, computadores eram apenas para pessoas ricas. O acesso a internet era apenas em lan-houses.
Mas eu achava aquele mundo virtual magnífico, me lembro perfeitamente dos longos papos no ICQ, a primeira vez em que ví o site "Assustador", a primeira vez que procurei a letra de uma música.
Um tempo mais tarde, já pude ter o primeiro computador em minha casa. Eu sempre fui apaixonada por jogos, graças também ao meu pai. E juntos podemos também nos entreter nos mais diversos games pelo computador. Até então era uma admiração grandiosa, esse mundo era fascinante demais para apenas ser visto, era necessário saber seu entendimento, a parte mais profunda daquilo tudo.


Depois de alguns cursos e algumas experiências, eu já trabalhava dando aulas particulares e em uma escola de informática básica para diversos alunos nas mais variadas idades.
Talvez eu tenha herdado as características curiosas da minha infância. Apesar de ter tido bastante medo quando abri um computador pela primeira vez, eu achava aquilo maravilhoso. Quando fiz o curso de montagem e manutenção, eu era a única menina na sala de aula, e admito que eu me sentia inferior. Tive repressão pelos meus colegas? Não sei dizer, nunca chegou nada diretamente a mim, pelo menos me tratavam de igual para igual, e não faziam piadas sobre eu ser a única garota a desmontar computadores.
Pouco tempo depois surgiu a oportunidade para me inscrever gratuitamente num curso Técnico de Informática. Na ocasião, por mais que eu já trabalhasse na área e tivesse experiência, era necessário ter um diploma para seguir melhor minha carreira.
Foram dois anos de muitos estudos, das quais tinham coisas que eu já era apta e outras que nunca tinha visto. Embora eu tenha preferido me manter na área de manutenção e suporte, foi de muita valia aprender como funcionava as mais diversas linguagens de programação e toda a funcionalidade de um computador. Eramos em poucas mulheres neste curso. Sobraram apenas 3, mas eu fui a única que seguiu a diante a carreira.
Paralelamente às aulas de informática básica, iniciei um estágio na prefeitura da minha cidade. Me esforcei bastante para ser "reconhecida" e apesar de sempre ouvir piadas sobre meu cabelo vermelho, nunca me apontaram como incompetente mesmo sendo mulher. 
Fiz meu primeiro concurso público para a área de informática, e adivinhem? Eu fui a única mulher inscrita. Existia apenas uma vaga e não consegui, ficando em terceiro lugar na colocação e depois caindo para quarto em questão de desempate de notas.
Sinceramente eu nunca me achei boa o suficiente em nada na minha vida. Nunca achei que seria capaz de chegar tão perto, ainda mais concorrendo com homens que já tinham mais conhecimentos do que eu, e muito mais experiência.
Depois, fiz meu segundo concurso público, apenas uma vaga novamente. E eu me esforcei muito, bem mais que o outro. Eu sabia que ali tinham pessoas melhores que eu concorrendo comigo. Tive confiança desta vez que eu iria passar? Jamais! Para mim sempre haveriam pessoas melhores que eu.
Me surpreendi ficando em primeiro lugar com a pontuação de 87 pontos, sendo a única pessoa a fechar a nota de conhecimentos específicos em informática. Pergunta se já caiu a ficha? Não! Até hoje!
Foi um esforço imenso, mas eu também tive colegas do meu lado que me tiraram dúvidas e me ajudaram mesmo eu sendo mulher. Talvez eu tenha sorte de estar rodeada de pessoas legais, talvez pude provar para eles que mesmo sendo mulher eu posso ser boa no que faço, ou ainda talvez, eles nunca tenham se importado por eu ser mulher e me apoiaram por ser uma boa colega e competente.
Sei que diante de cidades grandes o problema é bem maior. Sei que muitas mulheres não tem chances como eu tive, sei que muitas são obrigadas a ouvir piadas desnecessárias vindo da classe masculina.
Cheguei a perceber isso em muitos comentários quando foi lançado o projeto "Delete seu preconceito", que no qual eu acho que foi de excelente ideia. Apesar de AINDA não ter sofrido devido a escolha da minha profissão, sei como é difícil uma mulher seguir uma carreira considerada "masculina".

Hoje faço faculdade de Gestão da Tecnologia da Informação. Não é algo que eu possa dizer que eu ame, mas é necessário pro meu futuro e é algo que posso pagar provisoriamente onde eu moro. Mas gostaria de ressaltar algo para as meninas de TI. Se vocês amam o que fazem, não desistam da carreira, não desistam dos seus sonhos, não desistam por piadas, sejam fortes e prove a vocês mesmas, não aos outros, que vocês são sim boas o suficiente e completamente competentes!
E para aquelas que não gostem da área da tecnologia, mas ainda sim queiram seguir profissões "masculinas"... sejam grandes cientistas, sejam físicas, astrônomas, policiais, engenheiras, sejam o que vocês quiserem, seu sexo não te faz menos inteligente que os demais. Vocês conseguem! E nunca deixem que digam que vocês não podem, vocês podem qualquer coisa!

#SerMulherEmTech

Bônus: Não contente em trabalhar e estudar na área de TI, ainda resolvi fazer paralelamente um curso Técnico em Segurança do Trabalho, outra área que talvez seja considerada "masculina". I don't care! I love it, I don't care! ;)
Beijo, fui!

terça-feira, 1 de março de 2016

Fight Like A Girl!

Bom dia guerreiros e guerreiras!
Hoje em especial pras guerreiras!


Hoje eu vim apresentar a vocês a série de desenhos do tema "FIGHT LIKE A GIRL"
Sabemos que antigamente, existia uma visão de que mulher não é forte, não podia isso, não podia aquilo, não podia lutar, tinha que ficar obrigatoriamente em casa cuidando dos filhos.. e eu me identifico muito com essas lindezas que são se submetem a nada e saem enfrentando o mundo! 
Antes a imagem de "mulher" em qualquer ramo que seja, era caracterizado como "fraqueza" ou "chacota", mas de tempos em tempos conseguimos mostrar que apesar de sermos do sexo feminino podemos sim, ser o que quisermos, como quisermos e com muita garra! Hoje em dia podemos encontrar bastante mulheres que deixam todo mundo de queixo caído, e até temos visto uma crescente criação personagens femininas impactantes em filmes, séries, jogos, além da própria vida real!
Então apresento a vocês lindas imagens de personagens femininas que lutam como uma garota, e são boas no que fazem! ;)



Quem desenvolveu esse projeto de ilustrações dessas lindas mulheres foi a game developer Carolina Porfírio (ou Kaol Porfírio) e quem quiser saber mais sobre esse lindo trabalho, só clicar aqui!
Vamos ao que interessa! :P
Começando com minha amável e preferida! Aurora! (Child of Light).


















Como dito anteriormente, vocês podem conferir todas as novidades do trabalho da Kaol no facebook!
Além disso, existe a parceria com a loja Toda Frida que tem várias roupas com o tema exclusivo do Fight Like a Girl!
Existem ainda várias outras mulheres incríveis nessa série de desenhos e camisetas, vale a pena conferir o trabalho inteiro dela, eu escolhi aqui minhas preferidas!

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Perler Beads

Bom dia guerreiros e guerreiras do meu coração de dragão!
Blog repaginado e muita novidade pra vocês!
Hoje vim aqui pra mostrar pra vocês algo que conheci a alguns anos, mas somente agora tive condições de comprar e fazer... então apresento a vocês os famosos PERLER BEADS!
O que? Você não sabe o que é isso? Então dá uma olhadinha na postagem completa!


Para quem ainda não conhece ou não sabe o que são os Perler Beads, eles são como miçangas feitas de plástico, só que em tamanho um pouco maior, onde podemos montar vários tipos de desenhos legais como se fossem pixels circulares.
A anos eu estava atormentando meu namorado para comprarmos e fazermos os beads e finalmente conseguimos. Compramos os Beads no Ebay (também pode ser encontrado no Aliexpress). Existem uma gama gigante de cores de beads para aprimorar suas criações. Para conseguirmos fazer Beads variados, compramos uma caixa com várias opções diferentes de cores, duas pinças para um melhor manuseio da peças (que são pequenas, 5mm) e algumas placas de plástico que tem pinos onde são encaixados os beads para formar o desenho. Para escolher o desenho é só dar uma olhadinha na internet, existem muitas opções para serem feitas. Depois do desenho montado, é hora de colar os beads uns aos outros. Então é preciso colocar um papel específico por cima dos beads (papel manteiga), e vir com o ferro quente, passando de leve, apenas para esquentar os beads a ponto de derretê-los um pouco para grudar uns aos outros. Não pode ser outro tipo de pepel, pois ele pode queimar tanto o papel quanto os beads que são de plástico.

Saquinhos de Perler Beads, pinças e placas.
Na imagem eu resolvi colocar apenas alguns saquinhos de perler beads, como já fizemos vários, algumas cores simplesmente acabaram, como o preto, branco e cor de pele, pois acabamos usando mais que as outras cores. Aliás, recomendo que se vocês forem comprar, comprem bastante preto, porque usa-se pra fazer quase tudo, principalmente contornos!
Estes foram os Perler Beads que eu criei:


Estava tão afobada pra fazer, que acabei me perdendo e nem sabendo exatamente o que fazer de inicio. Uma pena foi não ter comprado mais variedades de cores, pois existem desenhos que por exemplo possuem 3 tons de verde ao mesmo tempo, ou 4 tons de azul, e não tínhamos cores parecidas para montar. 
Meu namorado criou esses:


Ele conseguiu ser mais criativo que eu, apesar de termos feitos alguns Beads iguais. E digo mais, é muito gostoso de montar, ainda mais com alguém que esteja ao seu lado pra te orientar, pesquisar, dar ideias... é uma terapia! Não é rápido de ser feito, e olha que fizemos Beads relativamente pequenos.

Adventure Time (Hora de Aventura)
Princesa Caroço e Finn - Hora de Aventura

Mario e Luigi, são do mesmo tamanho, porém dei zoom pra bater a primeira foto.

Fantasmas do jogo Pac Man

Pitfall

Pokémon
Acabei fazendo o Charmander improvisado por não ter mais as cores para fazer contorno e outros detalhes, apesar do meu namorado não ter curtido muito, eu gostei da minha adaptação! :P

Ícones de Super Mário World

Ícones de Zelda, a Link to the Past
Na internet ainda é possível encontrar criações gigantescas feitas de Perler Beads, existem até quadros feitos desse material. Então basta usar a imaginação e fazer suas criações! Com os beads podemos fazer também chaveiros e imãs de geladeira. Eu amei! E vocês? Gostaram? Ficaram com alguma dúvida? Deixa um recadinho pra mim que eu respondo ok? Hail!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Pronuncia das Línguas Élficas

Bom dia guerreiros e guerreiras!
Na minha ultima postagem eu falei sobre os alfabeto élfico e uma guerreira deixou um comentário perguntando como seria a pronuncia.
Eu não manjo de linguagem elfica mas fiz uma pesquisa que pode ajudar muito nesse aprendizado!
O texto que segue a seguir foi retirado do blog Elfos Eldalie e com a devida autorização esta postagem!
Então é só ler a postagem inteira que tá super legal e fácil de entender!



Vamos conhecer a pronúncia das línguas Élficas. Essas explicações são tiradas principalmente dos apêndices do Senhor dos Anéis. Para nós, brasileiros, a pronúncia do quenya (e também do sindarin, que segue regras semelhantes), não apresenta maiores problemas, pois a pronúncia das vogais é basicamente a mesma das línguas originárias do latim. Apenas nas consoantes nós encontraremos alguma dificuldade, mas nada que seja muito complicado.

As Vogais
Em Quenya, as vogais são pronunciadas da mesma maneira que no Português. Diferente do Inglês, as vogais são sempre pronunciadas e mantêm seu som original mesmo nos encontros vocálicos. No português do Brasil, é muito comum enfraquecer as vogais E e O para I e U no final das palavras. Isso NUNCA deve ser feito em Quenya.São todos sons puros, não ditongos. Em Quenya existe uma distinção importante entre vogais curtas e longas, que são normalmente  marcadas com um acento agudo e pronunciadas com aproximadamente o dobro da duração das vogais curtas. Isso não indica a sílaba tônica, serve apenas para determinar a duração e o comprimento do som. O comprimento é a única distinção entre i e í, a e á, u e ú, embora haja uma leve diferença na pronúncia entre e e é e entre o e ó; nesses dois casos, a pronúncia torna-se mais fechada (mais ou menos como o nosso ê e ô).

Pronúncia das vogais curtas:

A vogal A é pronunciada como nas palavras “camisa” e “bola”.
A vogal E é pronunciada como nas palavras “testa” e “fera”.
A vogal I é pronunciada como nas palavras “vida” e “fácil”.
A vogal O é pronunciada como nas palavras “copo” e “bota”.
A vogal U é pronunciada como nas palavras “luta” e “jumento”.

Exemplos de palavras com vogais curtas (o sublinhado indica a sílaba tônica):
a, e, i, o, u
alta, elen, Isil, osto, undu

Pronúncia das vogais longas:

A vogal Á é pronunciada como nas palavras “fábrica” e “táxi”.
A vogal É é pronunciada como nas palavras “medo” e “parede” (o primeiro E).
A vogal Í é pronunciada como nas palavras “saída” e “índio” (o primeiro I é longo).
A vogal Ó é pronunciada como nas palavras “bonde” e “gônada”.
A vogal Ú é pronunciada como nas palavras “cúbico” e “única”.

Exemplos de vogais longas (o sublinhado indica a sílaba tônica):
á, é, í, ó, ú
fána, nése, hísie, onóne, untúpa

O Quenya tem um conjunto de apenas seis ditongos. Todos os outros pares de vogais devem ser pronunciados seguindo as regras apresentadas acima. Os ditongos possíveis são AI, OI, UI, AU, EU e IU. São todos ditongos decrescentes, ou seja, pronuncia-se a primeira vogal mais fortemente, e desliza-se para a segunda (exceto IU, onde se podia avançar de um I fraco para um U forte. Como essa era a pronúncia usada a partir da Terceira Era, vamos dar preferência a ela durante o nosso curso).

Exemplos de ditongos (o sublinhado indica a sílaba tônica):
ai, oi, ui, au, eu, iu (antigo), iu (moderno)
Ainu, coimas, cuivie, Auta, leuca, miule (antigo), miule (Terceira Era em diante)

O trema

Em todos os textos em quenya, uma coisa se destaca: o uso freqüente do trema (diarése). Esse símbolo não indica nada em relação à pronúncia das palavras, pelo menos para os falantes de línguas latinas, e serve apenas para lembrar aos falantes do Inglês que aquelas letras marcadas com o trema devem ser pronunciadas segundo as regras normais, e não se transformam em ditongos nem tem o som enfraquecido. Para nós, não faz a menor diferença: por exemplo, os nomes Ingwë e Ingwe tem exatamente a mesma pronúncia. Como apenas os seis casos acima são ditongos, combinações como EA devem ser pronunciadas como dois sons distintos.

Regras de tonicidade
As regras de tonicidade do quenya são bastante simples, e não há grandes complicações no seu estudo. Embora o acento agudo colocado sobre as vogais longas não sirva para indicar a sílaba tônica, em muitos casos, por motivos etimológicos (origem das palavras), há uma coincidência: muitas palavras possuem uma vogal longa na sílaba tônica. Contudo, a posição da sílaba tônica, embora não seja marcada, é facilmente previsível: uma sílaba é longa se contém uma vogal longa, ou se termina com uma consoante, do contrário é curta. As regras de tonicidade do quenya (e também do sindarin) são as seguintes:

     – Todas as palavras dissílabas são paroxítonas, com a única exceção de aVÁ.

     – As palavras polissílabas são paroxítonas se a penúltima sílaba contiver uma vogal longa, um ditongo ou se a a vogal dessa sílaba for seguida de mais de uma consoante; caso contrário são proparoxítonas.

Exemplos (A sílaba tônica está sublinhada e em letras maiúsculas):

SAUron – penúltima sílaba (Sau) contém um ditongo (au); paroxítona
MELkor – dissílaba; paroxítona
AlquaLONdë – penúltima sílaba (lon) com uma vogal curta (o) seguida de duas consoantes (nd); paroxítona
ELENna – penúltima sílaba (len) com uma vogal curta (e) seguida de duas consoantes (nd); paroxítona
HísiLÓme – penúltima sílaba com uma vogal longa, paroxítona
GaLADriel – penúltima sílaba (ri) com uma vogal curta, proparoxítona
ELdamar – penúltima sílaba (da) com uma vogal curta, proparoxítona
MÍriel – penúltima sílaba (ri) com uma vogal curta, proparoxítona
FËanor – penúltima sílaba (a) com uma vogal curta, proparoxítona
AlDARion – penúltima sílaba (i) com uma vogal curta, proparoxítona
FiNARfin – penúltima sílaba (nar) com uma vogal curta (a) seguida de duas consoantes (rf); paroxítona.

Pronúncia das Consoantes

A pronúncia das consoantes, em Quenya, também é semelhante à pronúncia latina, e por isso não temos muitos problemas na maioria dos casos. As consoantes eram organizadas dentro do tengwar, o alfabeto, que consta do apêndice E do Senhor dos Anéis. Não entraremos em maiores detalhes agora, mas voltaremos ao assunto em algum tempo. Para os mais apressadinhos, vamos dar uma rápida explicação sobre a fonologia.

Quenya possui cinco séries de consoantes: as quatro colunas na tabela de tengwar (=letras) e mais a primeira coluna com dois pontos embaixo. A primeira coluna, ou tincotéma, é de consoantes dentais (ou talvez alveolares), como o Francês t. A primeira coluna mais os pontos, a tyelpetéma, são versões palatilizadas da tincotéma. A segunda coluna, a parmatéma, são as consoantes bilabiais, como na palavra “pato”. A terceira, calmatéma, são velares, como no Inglês “cat”. A quarta, quessetéma, são labio-velares, como no Inglês “quick”. As linhas no tengwar correspondem (em teoria) a diferentes maneiras de articulação, como parada ou fricativa, sonora ou muda. Contudo, como o Quenya não segue exatamente a teoria, é mais interessante discutir os sons individualmente, independente de seu local entre as tengwar.

Vamos às regras de pronúncia das consoantes. Somente estão destacadas aquelas consoantes ou conjuntos de consoantes que apresentam alguma peculiaridade. As consoantes não listadas abaixo são pronunciadas da mesma forma que no português.

C – Tem sempre o valor de k, mesmo antes de E e I: celeb,  “prata” deve ser pronunciado keleb (queleb). Círdan, o Construtor Naval, pronuncia-se “quírdan” (e não ‘sírdan’).

CH – Representa o som semelhante ao da palavra alemã Bach (pronuncia-se ‘bac’). Assim, Carcharoth, o grande lobo de Angband, pronuncia-se Carcaroth.

DH – Representa o TH sonoro do inglês “these”.

F – Representa o som normal de F, exceto no final das palavras, nas quais representa o som de V: Gandalf pronuncia-se Gandalv (paroxítona)

G – Tem apenas o som de G em galo, guerra, guincho, gole e gula: Gil (“estrela”), pronuncia-se ‘guil’, e não ‘jil’. Eregion pronuncia-se ‘Ereguion’.

H – Sozinho, sem outras consoantes, tem o som de H como nas palavras inglesas house e horse, muito semelhante ao nosso R (ou RR, quando usado no meio das palavras). A combinação HT em quenya tem o som do alemão CHT;  o H do encontro consonantal tem o som gutural, como ou o CH do alemão e o J do espanhol: depois de E ou I o som era um meio termo entre o CH do português e o J do espanhol. HY pronuncia-se como no Inglês huge. Segundo Tolkien, muitos humanos falantes de Quenya pronunciavam o HY como se fosse um CH comum da língua portuguesa, mas a pronúncia correta fica entre o CH do Português e o J do Espanhol. HW pronuncia-se como a nossa letra U.

K – Usa-se somente em nomes tirados de línguas não élficas, com o mesmo valor de C; assim, KH representa aproximadamente o mesmo som que CH em Grishnákh na língua dos orcs (leia-se Gríxnac).

L – Representa aproximadamente o som do nosso L normal, como em ‘letra’ ou ‘bola’. No entanto, era, até certo ponto, palatalizado entre E ou I e uma consoante, ou em posição final após E ou I (provavelmente as palavras inglesas como bell e fill seriam pronunciadas mais ou menos como ‘beol’ e ‘fiol’). O LH representa a forma surda deste som. Em quenya (arcaico) isso se escreveria HL, mas na Terceira Era costumava ser pronunciado como um L comum.

NG – Faz o mesmo som encontrado na palavar ‘ângulo’, mas tinha um som mais fraco no final das palavras. Era pouco usado na Terceira Era, sendo normalmente substituído pelo N simples.

PH – Tem o mesmo som de F. Usa-se, em quenya, em três situações:
a) para representar o som de F no final de uma palavra, como alph (cisne);
b) quando o som de F está relacionado com (ou deriva de) uma letra P, como em i-Pheriannath = os Hobbits (Perian); e
c)  no meio de algumas palavras, representando um FF longo, derivado de um PP longo, como em Ephel (vedação exterior)

QU – Representa o som de CW, combinação de sons bastante freqüente em Quenya. Como as combinações UA, UE e UO não formavam ditongos, nesses casos o U deve ser pronunciado, como nas palavras ‘freqüente’ e ‘quase’. Quenya se pronuncia qüenha ou qüenhia.

R – Representa sempre um som vibrado, mesmo entre vogais ou no início das palavras. Faz sempre o som que ouvimos nas palavras “cara”, “parede” ou “garota”. Rían, por exemplo, pronuncia-se com o R inicial igual ao da palavra “carinho” (e não como a palavra ‘rio’).

S – Faz sempre um som surdo (igual aos nossos SS ou ç), nunca tem o som de Z (como na palavra ‘casa’). Portanto, Isil (lua) pronuncia-se Íssil.

TH – Representa um som muito parecido com o encontrado nas palavras ‘fossa’, ‘foice’ ou ‘poço’, pronunciadas com a língua entre os dentes. Transformou-se em S no Quenya falado, embora normalmente se escrevesse com uma letra diferente.

TY – Faz o som encontrado na palavra ‘tio’, e derivou do C+Y ou T+Y.

V – Faz o som normal de V, mas não é usado no final das palavras. Nesse caso, usa-se o F.

W – Tem o som de U. Assim, Tengwa (letra) pronuncia-se ‘ten-gua’. No início das palavra, se transformou em V, durante a Terceira Era.

X – O X é na verdade uma combinação dos sons de K e S; Helcaraxë deve ser pronunciado “Helcaracse”.

Y – Faz o som de I, mas é considerado consoante.

Z – Não ocorre no Quenya

– Os dígrafos NY e LY correspondem, muito aproximadamente, aos nossos LH e NH, respectivamente.

– Para propósitos de tonicidade, os dígrafos ry, ly, ty, ny, qu, quando no meio de palavras, contam como duas consoantes: Calacirya (o Passo da Luz em Valinor), aranya (meu rei). ciryaquen (marinheiro).


Consoantes longas ou duplas (TT, FF, LL, NN, etc.) – Devem ser pronunciadas “em dobro”, com a duração duas vezes maior que a normal. No final de palavras com mais de uma sílaba eram geralmente encurtadas.


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